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COLUNA TEOLÓGICA

A HISTÓRIA DO CRISTIANISMO


HISTÓRIA DO CRISTIANISMO (Palestra realizada em 31/05/2008)
1.1 Introdução
A religião cristã surgiu na região da atual Palestina no século I. Essa região estava sob domínio do Império Romano neste período. Criada por Jesus, espalhou-se rapidamente pelos quatro cantos do mundo, se transformando atualmente na religião mais difundida.
Jesus foi perseguido pelo império Romano, a pedido do imperador Otávio Augusto (Caio Júlio César Otaviano Augusto), pois defendia idéias muito contrárias aos interesses vigentes. Defendia a paz, a harmonia, o respeito um único Deus, o amor entre os homens e era contrário à escravidão. Enquanto isso, os interesses do império eram totalmente contrários.
Atualmente, encontramos três ramos do cristianismo: catolicismo, protestantismo e Igreja Ortodoxa.
1.2 Doutrina Cristã
De acordo com a fé cristã, Deus mandou ao mundo seu filho para ser o salvador (Messias) dos homens. Este seria o responsável por divulgar a palavra de Deus entre os homens. Foi perseguido, porém deu sua vida pelos homens. Ressuscitou e foi para o céu. Ofereceu a possibilidade da salvação e da vida eterna após a morte, a todos aqueles que acreditam em Deus e seguem seus mandamentos.
A principal idéia, ou mensagem, da religião cristã é a importância do amor divino sobre todas as coisas. Para os cristãos, Deus é uma trindade formada por : pai (Deus), filho (Jesus) e o Espírito Santo.
1.3 O Messias (Salvador)
Jesus nasceu na cidade de Belém, na região da Judéia. Sua família era muito simples e humilde. Por volta dos 30 anos de idade começa a difundir as idéias do cristianismo na região onde vivia. Desperta a atenção do imperador romano Júlio César, que temia o aparecimento de um novo líder numa das regiões dominadas pelo Império Romano. Em suas peregrinações, começa a realizar milagres e reúne discípulos e apóstolos por onde passa. Perseguido e preso pelos soldados romanos, foi condenado à morte por não reconhecer a autoridade divina do imperador. Aos 33 anos, morreu na cruz e foi sepultado. Ressuscitou no terceiro dia e apareceu aos discípulos dando a eles a missão de continuar os ensinamentos.
1.4 Difusão do cristianismo
Os ideais de Jesus espalharam-se rapidamente pela Ásia, Europa e África, principalmente entre a população mais carente, pois eram mensagens de paz, amor e respeito. Os apóstolos se encarregaram de tal tarefa.
A religião fez tantos seguidores que no ano de 313, da nossa era, o imperador Constantino concedeu liberdade de culto. No ano de 392, o cristianismo é transformado na religião oficial do Império Romano.
Na época das grandes navegações (séculos XV e XVI), a religião chega até a América através dos padres jesuítas, cuja missão era catequizar os indígenas.
1.5 A Bíblia
O livro sagrado dos cristãos pode ser dividido em duas partes: Antigo e Novo Testamento. A primeira parte conta a criação do mundo, a história, as tradições judaicas, as leis, a vida dos profetas e a vinda do Messias. No Novo Testamento, escrito após a morte de Jesus, fala sobre a vida do Messias, principalmente.

1.6 Principais festas religiosas
Natal: celebra o nascimento de Jesus Cristo (comemorado todo 25 de dezembro). Páscoa : celebra a ressurreição de Cristo.
Pentecostes : celebra os 50 dias após a Páscoa e recorda a descida e a unção do Espírito Santo aos apóstolos.

1.7 Os Dez Mandamentos
De acordo com o cristianismo, Moisés recebeu Deus duas tábuas de pedra onde continham os Dez Mandamentos:
1. Não terás outros deuses diante de mim.
2. Não farás para ti imagem de escultura, não te curvarás a elas, nem as servirás.
3. Não pronunciarás o nome do Senhor teu Deus em vão.
4. Lembra-te do dia do sábado para santificá-lo. Seis dias trabalharás, mas o sétimo dia é o sábado do seu Senhor teu Deus, não farás nenhuma obra.
5. Honra o teu pai e tua mãe.
6. Não matarás.
7. Não adulterarás.
8. Não furtarás.
9. Não dirás falso testemunho, não mentirás.
10. Não cobiçarás a mulher do próximo, nem a sua casa e seus bens.


A PROBLEMATIZAÇÃO ENTRE O BEM E DO MAL INTRODUÇÃO
Há indagações a respeito do bem e do mal, do certo e do errado, se verdadeiramente existe um bem na figura de Deus e do Filho Salvador e um mal na figura do diabo ou satanás ou demônios, que usam pessoas afastadas de Deus e os que nele não crê, para a perdição da humanidade, como descrito nas escrituras sagradas.
Ou se a problemática do bem e do mal esta na questão moral cultural ou se é um fruto da seleção natural do homem.
Filósofos buscam respostas fora das escrituras para tentar se chegar a uma resposta sobre a problemática do bem e o mal, colocando no âmbito da moral e na cultura de cada povo, acreditando que podemos encontrar o bem e o mal em nós mesmos, em nossas atitudes perante a sociedade em que vivemos .
Cientistas entram nessa indagação e tentam através de pesquisas, buscarem uma resposta para a problemática do bem e do mal na seleção natural do homem, tentando provar que ser bom ou ser mau, pode ser uma das formas agregadas ao DNA de uma pessoa, se já nascemos bons ou ruins, e até que ponto nossa sociedade vai influenciar sobre o eu bom ou o eu ruim.
A igreja, sustenta sua posição no dogma das escrituras, na fé, colocando Deus como criador de infinita bondade, e o homem como sua imagem é bondoso e posto a prova a todo momento pelo mal na figura do diabo.
São muitas as indagações sobre a problemática do bem e do mal, e muito os caminhos que tentam explicar ou buscar soluções para essa problemática.
Nosso trabalho, não tem a intenção de resolver o problema, ou de responder a todas as perguntas, mas sim de fazer uma reflexão sobre as questões e suas diversas vertentes.
O presente estudo visa colocarmos em discussão, a questão do bem e do mal enquanto dogma religioso, como requisito moral e como fruto da seleção natural e da evolução humana, buscando uma conclusão a respeito das diversas teorias, não para sermos formadores de opinião, mas para esclarecermos a nossa.
É na busca de um entendimento que nos debruçamos sobre tal questão.

CAPITULO 1: O COMEÇO DE TUDO
Cinco perguntas permeiam a vida:
1. Origem: De onde viemos?
2. Identidade: Quem somos?
3. Propósito: Por que estamos aqui?
4. Moralidade: Como devemos viver?
5. Destino: Para onde vamos?
As respostas destas perguntas dependem da existência de Deus. Se Deus existe, então existe significado e propósito para a vida. Se existe um verdadeiro propósito para a sua vida, então existe uma maneira certa e uma maneira errada de viver. As escolhas que fazemos hoje não apenas nos afetam aqui, mas também na eternidade. Por outro lado, se Deus não existe, então a conclusão é que a vida de alguém não significa nada. Uma vez que não existe um propósito duradouro para vida, não existe uma maneira certa ou errada de viver. Não importa de que modo se vive ou naquilo em que se acredite, pois o destino de todos é o pó.
Origem
Deus ordenou a Adão e Eva que comessem de todos os frutos, mas lhes proibiu de tocar de tocar no da ciência, alertando-os de que morreriam se o comessem. Havia então perfeita harmonia entre todos os animais, e a serpente estava muito acostumada com Adão e Eva. Mas a sua malícia a fez invejar a felicidade de que ambos desfrutariam se observassem a ordem divina e julgasse ela que ao contrário, eles seriam vítimas de todas as desgraças se desobedecessem, tratou de persuadir Eva a comer do fruto proibido. Para melhor induzi-la, disse que o fruto continha uma virtude secreta, que dava o conhecimento do bem e do mal, e que se ela e o seu marido comessem dele, seriam tão felizes quanto Deus. Assim a serpente enganou a mulher, e esta desprezou a ordem divina: comeu o fruto, alegrou-se por tê-lo feito e induziu Adão a comê-lo também. Ora, como era verdade que o fruto dava grandíssimo discernimento, eles logo perceberam que estavam nus e sentiram vergonha. Então tomaram folhas de figueira para se cobrir, julgando-se mais felizes do que antes, porque agora conheciam o que até ali haviam ignorado. Deus entrou no jardim, e Adão, que antes do pecado conversava familiarmente com Ele, não ousou apresenta-se, por causa da falta que havia cometido. Como consequência, após tentarem se desculpar, Deus dar-lhes as devidas sentenças, a cada um segundo seus atos. Ao homem, a mulher e a serpente.
Pecado Original

É necessário compreendermos que, por natureza, o homem está espiritualmente morto. Além disso, temos que captar o fato de que ele é governado por este mundo e pela mente deste mundo, que é governado pelo princípio do mal que está operando neste mundo e que, por sua vez, é governado pelo "príncipe das potestades do ar", aquele grande chefe, o diabo, satanás, o deus deste mundo, que exerce controle sobre todos os poderes e forças que dirigem e governam os homens e determinam o tipo de vida que o homem leva neste mundo. Esse é o estado, a condição.
Nada é tão fátuo como a idéia de que a doutrina Cristã é afastada da vida. Não existe nada mais prático, e o mundo está hoje em suas atuais condições de desordem porque os homens não querem reconhecer a veracidade daquilo que a Bíblia ensina sobre o
homem.
Quão distante do ensino bíblico está a comuníssima idéia de que o cristianismo é simplesmente uma coleção de numerosas máxima de moral, e que deve ir à igreja aos
domingos apenas para receber algum encorajamento, para que lhe digam qual é o seu
dever e que você é bom se o pratica, e nada mais. Isso nem é o começo do estudo do
verdadeiro problema. Antes de podermos ter a mínima possibilidade de compreender a
verdadeira natureza do problema, temos de entender o que é o homem no estado de
pecado.
Portanto, havendo examinado o homem em seu verdadeiro estado e condição, chegamos ao ponto, que é a explicação da sua condição.
Porque o homem se acha nessas condições? O que o levou a isso? Qual a explicação?
Desobediência
"Em que noutro tempo andaste segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência." (Ef 2:2)
É sempre esse o ponto essencial da explicação bíblica sobre por que o homem é assim. O problema primário essencial, é a desobediência. Foi isso que levou a todos os nossos problemas e desgraças. Noutras palavras, trata-se da nossa relação com Deus. E notem que a ênfase é que o pecado não é meramente negativo, não é meramente ausência de qualidades, não é meramente ausência de alguma coisa; é positivo, ativo, é deliberado. A desobediência, é fuga da obediência, é questionar o direito que Deus tem de exercer o comando sobre nós, noutras palavras, é rebelião. E é isso que a Bíblia diz do homem do começo ao fim.
Livre Arbítrio
"Se o faço de livre vontade, tenho galardão." (I Co 9.17a)
A inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Isso é importante, nesse sentido, que mostra que o homem, em consequência do pecado, em consequência de ser ele dominado pelo diabo e pelo princípio que este introduziu, e pela mente deste mundo, acha-se em tal estado e condição que ele não pode obedecer a Deus. O homem gosta de pensar que é absolutamente livre para escolher o que quiser, ele pode escolher não servir a Deus, se o desejar; e pode escolher ser cristão, se assim também for o seu desejo. A afirmação da vontade do homem, do livre arbítrio, é a ordem do dia. O homem natural não é sujeito a vontade de Deus.
Ele quer pecar, gosta de pecar, gloria-se em pecar. Não exerce negativamente a sua vontade para pecar; o que ele não pode fazer é querer o bem positivo, o bem espiritual. É incapaz disso, e aí está, porque ele precisa nascer de novo.

Natureza
"E éramos por natureza filhos da ira, como os outros também". (Ef 2.3)

Não nascemos com equilíbrio justo, com possibilidade de ir para este ou aquele caminho. Nascemos com forte inclinação unilateral. Por natureza, começamos com isso, com uma tendência para o mal, tendo a vontade em escravidão, sob o domínio de satanás, com cobiças e maus desejos e esperando por uma oportunidade para demonstrar-se e manifestar-se.
Universalidade
"Todos pecaram e destituídos da glória de Deus estão..."

Todos. O erro fatal é pensar sempre em termos de atos e ações, e não em termos de natureza e de disposição em vez de pensar em termos de relação com Deus. Não importa quão responsável você seja se você não está vivendo inteiramente para à glória de Deus e sim para sua auto-satisfação e auto-suficiência final e justiça própria é o pecado dos pecados ou seja pecado universal.
CAPITULO 2: O BEM E O MAL NO ASPECTO MORAL E NA SELEÇÃO NATURAL DA EVOLUÇÃO HUMANA
O bem e o mal no aspecto moral
Algumas são as formas de reflexão sobre a problemática do bem de do mal, reflexões com base na metafísica, no filológico e na questão moral.
Para a filosofia de Fiedrich Nietzsche, a problemática do bem e do mal, está além da religião e além de Deus. O filósofo coloca o cristianismo com um platonismo para o povo, afastando o homem da realidade e colocando numa condição submissa e servil, para com a igreja e o estado, não deixando o homem enxergar a problemática do bem e do mal como devem, no âmbito da moral chegando a criticar outros filósofos como Kant por este servir a igreja e o estado.
A vida humana é colocada como uma coisa que esta alem do bem e do mal, não há na vida uma relação negativa com outra vida do além, para o filósofo o espírito humano é livre e deve libertar-se daquilo que se chama alma.
Há na vida sensações, que segundo Niet, queremos afastar ou que queremos chegar. São essas sensações associadas a reflexões, que comandam o nosso "livre-arbítrio", ou seja, que comanda o nosso ato de vontade, passando por conclusões errôneas ou não sobre o desfecho dessa vontade e seu efeito. A causas somos nós que inventamos, pois, se acreditarmos que a causa segue o efeito estamos dizendo que a vontade não é livre e, portanto esta presa a questão impostas pela mitologia religiosa, não a questão morais.
Em todas partes aonde encontramos um conceito moral, encontramos uma avaliação e uma classificação hierárquica dos instintos e dos atos humanos. Essa classificação está intimamente ligada ao meio social em que o individuo vive. Variando muito o conceito de bem e mal, conforme varia as condições morais de uma sociedade para outra.
A noção de bem e mal por estar ligada a condições morais de uma sociedade, pode levar os jovens, a enfrentar os conceitos morais, fazendo uma reflexão sobre o valor e não valor de alguns conceitos e suas consequências, quando deveriam fazê-lo em relação a suas origens.
Os jovens de uma sociedade liberal agem com impetuosidade e agem dentro de sua vontade sem a devida reflexão do efeito de seus atos, levando o jovem a desilusões, fazendo com que se volte contra si mesmo. Mais tarde com a maturidade, compreende que tudo era só juventude e que seus atos produziam efeitos que os colocavam como fruto do mal, por não estarem enquadrado no conceito moral da sociedade.
Diferente das sociedades mesmo liberais não víamos e nem vemos a ocorrência de tais efeitos, pois, as ações dos jovens refletiam e refletem nos mais velhos, e o efeito do insucesso ou do êxito de um jovem fazia com que se pensasse no bem e no mal de uma ação.
Para Niet, não há como transformar um homem mal em um homem bom, num santo, pois, seria uma contradição aceitar tais fenômenos, pois, o estado da alma encontra-se diametralmente oposto a moral.
Podemos dizer que evoluímos bastante no sentido de já não se considerar o valor de uma ação não pela consequência, mas pela origem.
Em toda parte aonde encontramos um conceito moral, encontramos uma avaliação e uma classificação hierárquica dos instintos e dos atos humanos. Essa classificação está intimamente ligada ao meio social em que o indivíduo vive. Variando muito conceito de bem e mal, conforme varia as condições morais de uma sociedade para outra, em síntese é o que prega Friedrich Nietzsche.
O bem e o mal na seleção natural da evolução humana
A posição filosófica da problemática do bem e do mal, e a de que o bem e o mal são valorados a partir do conceito moral de uma sociedade. Se o cego atravessa a rua e o sinal esta aberto, devemos ajudá-lo ou poderíamos tirar um sarro da cara do mesmo e deixá-lo no meio da rua. Evidentemente que a qualidade humana, nos faria praticar o bem, por sabermos distinguir entre o certo e errado, o moral e o imoral entre o bem e o mal.
A própria ciência responde parte da pergunta dizendo que parte do senso de moralidade está ligada ao aprendizado através do convívio dos outros, ou seja, o senso de moralidade esta ligada ao convívio social e o condicionamento a essas sociedades.
Mas dizem os cientistas, "noções básicas de justiça pode ser encontrada até mesmo em uma criança, e a nobreza de intenções não é um atributo exclusivo do homem."
De acordo com a cientista Steven Pinker, psicólogo da Universidade de Harvard,
estudioso da natureza humana e autor do livro "como a mente funciona"; há uma razão
natural para crer que o senso de moral evoluiu em nossa espécie em vez de precisar ser
deduzido da estaca zero por cada um de nós.
Pesquisando sobre o assunto, Steven Pinker verificou que crianças de um ano e meio de idade, dão brinquedo espontaneamente, oferecem ajuda e tentam consolar adultos e outras crianças que estão visivelmente aflitos.
Para o pesquisador, independentemente da nacionalidade ou meio social que o homem conviva, há coisas que desde muito pequeno o homem sabe distinguir como bom ou mau, sinal de que foi programado geneticamente para saber isso.
Steven Pinker sustenta que sua teoria afasta a problemática sobre o bem e o mal no aspecto sócio moral e sustenta que a moral é inata. Afirma o cientista, que o ser humano já tem em seu DNA a distinção do certo e do errado, e mesmo que arraigado na religião, não aceitaria uma ordem divina de fazer o bem.
O cientista, afirma ainda que a moralidade inata, não tira do homem a inteligência e, por conseguinte pode o homem pensar estrategicamente e driblar a moral inata, e tirar proveito dessa situação. Podendo o homem ser manipulado, para achar que uma situação natural imoral, lhe é moralmente justa, e combater em guerra por essa causa.
"Diferente são os psicopatas", diz Steven Pinker. Para os cientistas, os psicopatas não ten a noção de moral inata, pois, tem um defeito na formação do seu DNA, nem na educação do indivíduo, mas em uma má formação do cérebro.
Em síntese, para o pesquisador, o bem e o mal esta definido na moral que é instalada no cérebro de cada indivíduo, pela própria composição genética de cada um, podendo o homem atingir graus cada vez mais elevados de desenvolvimento.
CAPITULO 3: INVERSÃO DE VALORES
Vivemos em uma época de valores invertidos. As coisas más são consideradas boas; e as boas, más. A Palavra do Senhor avisa: "Ai dos que ao mal chamam bem ao bem, mal! Que fazem da escuridão, luz, e da luz, escuridão, e fazem do amargo doce, e do doce, amargo!" (Isaías 5.20).
Voltaire afirmou, em suas filosofias, que o homem deve determinar para si próprio o que considera bem ou mal. Segundo ele o bem é tudo o que é bom para a natureza humana; tudo o que impulsiona a vida dessa natureza e colabora para as potencialidade humanas.
"Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males", (Tm. 3.10). Construímos morais e éticas, concertos como liberdade e justiças. Como sociedade definimos o bem e o mal. Separamos claramente as coisas que sabemos que estão em acordo ou desacordo.
Pode-se dizer que o mal é ausência do bem, como frio é a ausência do calor. Assim como o frio, não é um fluído especial, também o mal não é atributo distinto; um é o negativo do outro.
Onde não existe o bem, forçosamente existe o mal.
Não praticar o mal, já é um princípio do bem. Tendo o homem livre-arbítrio, evitará o mal sempre que quiser.
Sócrates foi o pai da idéia de que o pensamento correto, produz a ação correta. Ele acreditava que possuía um deus dentro de si, o qual lhe dizia o que era certo e o que era errado. Mas quem é guiado pela Palavra de Deus sabe que "É melhor confiar no Senhor do que confiar no homem" (Sl 118.8)
Deus sempre soube o fim antes do começo. Contudo, isso não significa que Ele tenha destinado de antemão uns ao mal e outro ao bem.
Por sua presciência, Deus conhece as escolhas do homem. Mesmo assim não interfere, uma vez que dotou o ser humano de livre-arbítrio;
Ele não viola esse princípio. Embora essa faculdade esteja grandemente prejudicada pelos efeitos negativos, o homem tem, a capacidade de escolher entre o bem e o mal. Ele não é um ser autônomo, um robô um fantoche, mas um ser responsável por seus atos.
CAPITULO 4: DEUS X MAL: O QUE ENVOLVE A ESPIRTUALIDADE NO MAL
Na Bíblia Sagrada, mas precisamente no livro do Profeta messiânico Isaías, em seu capítulo 45 e no versículo 7, Deus diz: "Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas."
A palavra "mal" neste versículo vem de uma palavra original que pode ter vários sentidos. Neste contexto e em outros onde Deus faz ou traz o mal, a palavra significa "calamidade" ou "punição". É o oposto de paz. Deus usaria Ciro para "abater as nações" (45:1). Em 45:8, Deus promete salvação (paz) e justiça (punição ou mal). Outros trechos usam a mesma linguagem. Os males que Deus ameaçou trazer em 2 Reis 22:16 foram punições e calamidades (veja Josué 23:15, onde aparece a mesma palavra no original).
Baseado em Isaías 45:7, podemos afirmar que Deus criou o mal, no sentido que um Deus justo e santo se afasta do pecador e o castiga por sua iniquidade.
Muitos usam esse versículo para dizer que Deus é um ser "equilibrado" que é tanto bom como mau. Tal idéia é representada em símbolos de religiões, como o "yin-yang". Mas, o Deus verdadeiro não é um conjunto de forças opostas. Ele é perfeitamente bom, e não contém nada de maldade. "Deus é luz, e não há nele treva nenhuma" (l João 1:5).
Ainda outros têm exagerado o conceito da soberania de Deus até o ponto de negar o livre arbítrio do homem. Segundo alguns sistemas de teologia, Deus decreta tudo, e o homem é impotente para resistir a vontade do Senhor. Pessoas com estas idéias afirmam que Deus predestinou cada pessoa para a salvação ou condenação, e que Jesus morreu somente para salvar as pessoas eleitas pelo capricho de Deus.
Jesus Cristo, pode dar plena solução ao problema do mal - solução que representa o maior valor filosófico no cristianismo - unicamente se é Homem-Deus, o Verbo de Deus encarnado e redentor pela cruz. Diferentemente, a solução - ascética -cristã do problema do mal seria vã, que ficaria, portanto, sem solução alguma. E, em geral, a pessoa de Cristo tornar-se-ia inteiramente ininteligível, se ele não fosse Homem-Deus.
Paulo de Tarso, na Cilícia, fôra um inteligente e zeloso israelita. Não conheceu Jesus Cristo durante sua vida terrena, mas, convertido ao cristianismo e mudado o nome de Saulo para o de Paulo, tornou-se o maior apóstolo do cristianismo. O problema que, sobretudo, preocupa Paulo é o do mal, do sofrimento, do pecado, de que acha a solução em Cristo redentor, crucificado e ressuscitado. No Velho Testamento Deus tinha dado aos homens a lei que, devido à miséria do homem decaído, não tirava o pecado, embora fosse uma lei moral; pelo contrário, até o agradava, tornando o homem consciente de sua falta. No Novo Testamento, Deus, mediante a graça de Cristo, tira o pecado do mundo, embora nos deixando na luta e no sofrimento, que Paulo sentia tão profundamente.
Não há dúvida de que o problema do mal foi o selecionado contra o qual inutilmente se bateu a grande filosofia grega, como qualquer outra filosofia, visto ser o mal um problema racionalmente insolúvel. Que coisa é, pois, precisamente este mal, que tem o poder de tornar teoricamente inexplicável a realidade, e praticamente dolorosa a vida? Não é, por certo, o mal assim chamado metafísico, a saber, a necessária limitação de todo ser criado: porquanto esta limitação nada tira à perfeição dos vários seres a eles, devida por natureza, mas apenas aquela plenitude do ser, que pertence unicamente a Deus, rigorosamente, isto é, teisticamente concebido como transcendente e criador, pois esse gênero de mal, no teísmo, é plenamente explicável.
Não resta, então, senão o mal, o chamado físico e moral, porquanto é limitação da natureza, verdadeira imperfeição de um determinado ser. O mal, físico e moral, é um problema, precisamente se se considerar a natureza específica do homem, a qual é a natureza do animal racional, o que não significa certamente lhe pertença a racionalidade pura, devida ao puro espírito; mas certamente exige a subordinação do sensível ao inteligível, do material ao espiritual. Isto significa exigir que os sentidos sejam instrumentos do intelecto e o instinto seja instrumento da vontade, naquele característico processo que é o conhecimento e a operação humana; exige que o corpo humano e a natureza em geral sejam submetidos às imposições do espírito, como deveria ser em uma hierarquia racional dos valores.
Ora, se se considerar, sem preconceitos, o indivíduo e a humanidade, a psicologia e a história, as coisas serão bem diferentes. Com efeito, demais vezes o sentido - do qual o conhecimento deve no entanto partir - sobrepuja o intelecto. E bem poucos homens e só com muitas dificuldades e não sem graves erros, chegam ao conhecimento daquelas verdades racionais - Deus, a alma, etc. - que são, entretanto, indispensáveis para uma solução humana do problema da vida. E, mais frequentemente ainda, o instinto assenhoreia-se da vontade, e a maioria dos homens viveu e vive cegamente, contra as exigências da própria natureza racional, mesmo quando a verdade é conhecida pelo intelecto.
Este é o mal moral, espiritual, que domina o mundo humano. Pelo que diz respeito ao mal físico, a coisa é ainda mais patente: basta lembrar o sofrimento e a morte. Com isto, naturalmente, não se quer dizer que a impassibilidade e a imortalidade sejam uma exigência da natureza humana, como tal, mas unicamente se quer frisar que a dor e a morte - bem como a ignorância e a concupiscência - em sua atual intensidade, se evidenciam como um estado inatural com respeito ao nosso ser espiritual e racional.
Temos, pois, uma natureza, a natureza humana, que nos parece desordenada. A filosofia conhece a essência metafísica dessa natureza humana, deve reconhecer-lhe também a desordem, mas ignora-lhe a causa.

Prof. Paulo César Paes
Diretor do IBECC